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Cavadas e Rasgadas A magia do Surf, seja na água ou no asfalto 2007-06-23T12:10:53Z WordPress http://surfnoasfalto.com.br/blog/feed/atom/ <ADMINNICENAME> http://surfnoasfalto.com.br/blog <![CDATA[Surfando nas Ladeiras do Uberaba]]> http://surfnoasfalto.com.br/blog/2006/09/06/surfando-nas-ladeiras-do-uberaba/ 2007-06-23T12:10:53Z 2006-09-06T12:40:49Z Contribuio: Cristiano Monteiro
Descoberto pelo Maurício Bastos e o Carlos Lima, este pico fica no Uberaba, algumas quadras atrás da Souza Cruz, na Rua Ivo Ferro.
O Carlos, além de já ter descoberto alguns segredos de “Pipeline”, apelidou esta ladeira casca grossa assim, por se tratar de um pico bem difícil para um lado do morro, e oferecer um drop mais tranquilo pro outro , que também recebeu recebeu o apelido de “Backdoor”.

Carlos Lima segurando a pirambeira

Como os nomes sugerem, estas ladeiras exigem uma certa habilidade para um drop clean, sendo Backdoor de nível médio e Pipeline um verdadeiro desafio, que consiste em se completar toda a parte crítica da ladeira sem tem que parar no meio do drop, ou pior, acelerar sem parar.
Já para o outro lado do morro, a rua tem uma descida um pouco mais suave, porém com uma área de aceleração que leva até a entrada de um condomínio, onde há espaço pra treinar as manobras. Depois segue estreita por um asfalto um pouco pior.
Ainda existe um morro coberto de grama ao lado, e até foi explorado para uns drops, porém se alguem levar um compensado pra subir a calçada, ele pode ter outra utilidade.

Aurélio pra “Backdoor”

O drop seguro em Pipe
Existe uma maneira segura de descer a pirambeira e ainda aproveitar todo o drop como se fosse uma onda forte e pra frente abrindo pra vários cutbacks seguidos.
Pode parecer até meio óbvio para alguns, mas o carve te leva pra direção que você está olhando. Foi isso que o Carlos constatou pra fazer o drop desta ladeira:
como a inclinaç o é forte, a cavada precisa ser bem agressiva, porém com cuidado pra não desgarrar as rodas, daí uma murchada nos pneus ajuda. Além da base e o posicionamento do tronco, é fundamental focar no ponto onde uma cavada vai terminar, e não olhar pra baixo constantemente.

Cristiano, cavada em Pipe

Momentos de Tensão
Ah, a respeito de acelerar sem parar, achei que já tinha me livrado definitivamente deste erro básico no carveboard, mais fui acometido por isso novamente e proporcionei um momento tenso, mas de pura adrenalina.
Foi insano porque após tentar segurar a ladeira sem uma cavada mais agressiva, acelerei muito e pra piorar, um carro começou a subir a ladeira, o que reduziu mais ainda o espaço e me fez ganhar mais velocidade. Quando cheguei próximo do cruzamento, senti a prancha sem nenhuma estabilidade debaixo dos pés. Só consegui pensar que não dava mais pra ejetar e que minha única chance seria conseguir desviar dos quebra-molas de contenção próximos do
“PARE”. Consegui! Atravessei o cruzamento a mais de 30Km/h e começou uma subida, ainda fui cavando pra desacelerar até que parei.Ufa…agradeci a Deus por não estar vindo nenhum carro na preferencial.

A cavada, e lá em baixo o cruzamento.

Bem, após o susto no primeiro drop neste pico, voltei no local mais duas vezes, já realizando o drop com segurança e explorando um pouco mais o potencial do pico para ambos os lados do morro.
A empolgação com o lugar e a vontade de evoluir cada vez mais neste esporte , me motivou a escrever este breve artigo, afinal de contas estamos todos aprendendo com as experiências que cada novo drop proporciona.

Cristiano, pico do Uberaba.

Link pro vídeo no Youtube.

Contribuições:

Fotos: Bruno Maia e Maurício Bastos
Texto: Cristiano Monteiro
Imagens:Bruno Maia,Cristiano Monteiro
Edição do video: Cristiano Monteiro

Agradecimentos:

Em especial ao Carlos e ao Maurício, que descobriram este ótimo pico próximo da minha casa!

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<ADMINNICENAME> http://surfnoasfalto.com.br/blog <![CDATA[Surfando e Cavando de Base Trocada]]> http://surfnoasfalto.com.br/blog/2006/08/19/surfando-e-cavando-de-base-trocada/ 2006-08-19T02:00:28Z 2006-08-19T01:59:43Z Você já tentou surfar ou andar de skate com a base trocada? Já tentou escovar os dentes com a outra mão ou cruzar os dedos ao contrário do que você normalmente faz? Já tentou escrever com a mão esquerda, se é destro, e com a direita, se é canhoteiro? A experiência não deve ter sido muito produtiva, fazendo você logo em seguida voltar a executar estas tarefas com o seu lado ou mão predominante.

É natural todo ser humano ter um lado dominante, onde é mais fácil executar as tarefas do dia-a-dia. A maioria da população é destra e somente dez por cento dela (eu incluído) é canhoteiro. Por sinal canhos é o nome de um demônio e daí que vem o termo canhoteiro. Alguém já ouviu aquela história que antigamente amarravam as mãos de nossos pais ou avós para não escreverem com a mão esquerda? Pois é, agora vocês já sabem porque. :-)
Skatistas e surfistas muito habilidosos conseguem andar/surfar com qualquer um de seus pés na frente. Quando tentam manobras desta maneira, chamada de base trocada, aumentam o grau de dificuldade para executá-las. Neste estado eles estão desenvolvendo tanto o seu corpo e equilíbrio, quanto a sua inteligência, pois o cérebro começa a fazer conexões para aprender aquela nova habilidade.

Ei, então é possível aumentar a sua inteligência somente por tentar aprender a fazer as coisas de maneira diferente? Sim! Quando você aprende a fazer uma tarefa comum de outra maneira, sai da pura repetição e entra na área da criação. Você sai da zona de conforto e desenvolve as suas habilidades adaptativas.

Dá próxima vez que tomar café use a colher com a outra mão. E faça isso não uma vez, mas durante vários dias. Faça até o ponto em que se sinta tão confortável com se estivesse fazendo com a sua mão predominante. No primeiro ou segundo dia se sentirá desconfortável e tentará desistir, voltando ao jeito normal. Não faça isso! Resista bravamente. Você logo irá notar que aquele desconforto é transitório.

Pensando nisso comecei a treinar para andar de base trocada no carve. No início foi muito ruim; o equilíbrio quase não existe e parece que é o seu avô que está tentando andar. Como no teste da colher continue tentando e você notará que rapidamente sairá do estágio da imbecilidade, conseguindo cavar levemente e andar em ruas de pouca inclinação.

A grande vantagem do carve é que, por ter pneus e shape grandes, a sua inércia e aceleração são suaves. Não é como em um skatinho em que as tentativas iniciais de andar com a base trocada são quase mortais, gerando raladas e alguns hematomas.

Além de andar com a base trocada, lembre-se que a remada também pode ser feita com o outro pé. A grande vantagem de remar com a outra perna é que você se exercita de maneira igual e não sobrecarrega sempre o mesmo lado do corpo, deixando-o mais equilibrado e tonificado.

Gosto de sempre aprender coisas novas e andar de base trocada é uma ótima experiência para aquela ladeira que você já desceu centenas de vezes e não acha mais graça.

Que tal da próxima vez que for surfar trocar a cordinha de pé por meia hora e ver o que acontece?

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<ADMINNICENAME> http://surfnoasfalto.com.br/blog <![CDATA[Surfando o Carveboard pela Primeira Vez]]> http://surfnoasfalto.com.br/blog/2006/08/12/experimentando-o-carveboard-pela-primeira-vez/ 2006-08-12T16:15:42Z 2006-08-12T02:17:04Z Assim como em qualquer outro esporte, é necessário conhecer as regras básicas do carve para aprender e evoluir de forma consistente no esporte. Desta maneira a pessoa que tem o primeiro contato com o carve não queima etapas e se diverte enquanto aprende. Nada pior do que levar uma ralada desnecessária, torcer um pé ou ficar com o corpo doendo por falta de conhecimento.

Carlos, Cristiano, Thur e Raphael no pico da MalhadaO carve é diferente dos skates comuns; ele foi feito para imitar os movimentos do surf e por isso seu shape é bem mole. Como o próprio nome já diz, o carve é um board de cavada, não de velocidade. Muitas pessoas se confundem com o visual robusto e os pneus grandes achando que o esquema é pegar uma ladeira bem íngreme e descer em altas velocidades. Nada mais errado do que isso! O carve é para ser utilizado em baixas velocidades, cavando, fazendo curvas fechadas, jogando o corpo e sentido a fluidez dos movimentos, como no surf. Se você acha que a velocidade está muito alta, alguma coisa fez de errado. Mantenha sempre controle sobre a velocidade, fazendo curvas largas e compatíveis com a inclinação da ladeira.  Sinta a vibe do surf e você vai fazer o carve deslizar como nas ondas.

Vejamos então sete pontos básicos para sair andando de carve com segurança e desenvoltura:

O posicionamento dos pés para a remada
Posicionamento do pé para remar A remada (ou pedalada) é a maneira de colocar o carve em movimento. Através dela se imprime a velocidade inicial na ladeira para se começar a deslizar sobre o asfalto.

O posicionamento do pé da frente é importante, pois ele é que vai servir de apoio para deslocar o carve. Este pé deve estar paralelo, na parte da frente e bem no meio da prancha. Se ele estiver de lado ou fora do centro da prancha ela irá virar e o carve fará uma curva. Com o pé bem no centro não existe perigo de se perder o equilíbrio, pois o carrinho irá andar reto e de forma previsível.

Posicione o pé de trás de forma mais aberta, senão o pneu de trás pode bater no seu calcanhar e te desiquilibrar ou derrubar.

A remada
Com o pé da frente posicionado, é hora de impulsionar o pé de trás no asfalto para começar a andar e ganhar velocidade. Um erro comum na hora da remada é deslocar o peso do corpo para o pé que está no asfalto. Não faça isso, pois você estará perdendo o equilíbrio a cada remada. O correto é deixar todo o equilíbrio e peso do corpo no pé que está em cima da prancha. O pé de impulso deve somente tocar o solo com a força necessária para te deslocar para a frente, nada mais do que isso. Uma maneira de melhorar a remada é impulsionar o skate e ficar se equilibrando somente com um pé, voltando a impulsionar novamente o solo e seguindo com esta prática até estar confortável com a situação. Os braços também podem ser usados para se equilibrar durante as remadas mais fortes, da mesma maneira que você movimenta-os para se equilibrar em uma caminhada, alternando-os com o movimento das pernas. Com o domínio da técnica da remada é possível remar forte aproveitando melhor ruas de baixa inclinação.

O posicionamento dos pés andando
carve - posicionamento dos pésDepois de estar em movimento é necessário posicionar os pés corretamente. Eles devem ficar perpendiculares à prancha. Por isso o pé da frente, que estava reto, agora deve ser girado, deixando o corpo do atleta de lado. Quanto mais perpendiculares estiverem os pés, melhor será para se inclinar e controlar a intensidade das curvas. O pé de trás não deve ultrapassar a borracha do tail, pois ela foi feita exatamente para ser um limitador. O pé da frente deve ficar no terço da frente da prancha. Não deixe-o muito perto do bico pois ele pode engatar no pneu quando você fizer uma curva. Se isso acontecer é chão certo, pois o pneu irá travar e você será ejetado.

A velocidade mínima
O carve é como uma bicicleta. Você precisa de um mínimo de deslocamento para conseguir andar e conseguir o equilíbrio necessário. É bem difícil se equilibrar em uma bicicleta parada; no carve é a mesma coisa. Desta maneira será possível fazer as primeiras curvas através do controle do corpo.

O controle através do corpo
Mauricio cavando Num skate normal o controle de direção se dá principalmente pela inclinação dos pés. No carve isso não funciona, você tem que usar principalmente a parte de cima do corpo, o peitoral, para fazer as curvas. Todo o controle de direção se dá através do deslocamento do seu centro de gravidade para a frente ou para trás. Se tentar controlar o carve somente através da inclinação dos pés, perderá o equilíbrio e cairá do equipamento. O ideal é começar a fazer curvas bem abertas, inclinando o corpo suavemente, utilizando toda a largura da rua que está usando.

O freio
Carlos Rasgando e Freiando A regra básica do freio é: o carve não tem freio! :-) Mas não se preocupe, planadores, asas-delta e parapentes também não tem freios e nem por isso se espatifam por aí. O segredo é estar sempre no controle da velocidade. Nunca deixe o carve alcançar uma velocidade em que você não esteja confortável. Para isso abuse das curvas e use sempre toda a extensão (largura) da rua em que está andando. Se achar que está muito lento dê uma remada ou aponte o carve para baixo da ladeira para ele pegar um pouco de velocidade. Logo em seguida volte a fazer curvas e usar a rua inteira. Assim você estará sempre no controle do carrinho e seus joelhos, cotovelos e mãos agradecerão.

Os equipamentos de segurança
Aurélio de mão ralada As pessoas me perguntam se é preciso usar equipamentos de segurança. A primeira resposta é que eles nunca são demais; a segunda é que o pessoal normalmente começa a usar depois que leva as primeiras raladas.

No meu ponto de vista o equipamento essencial é uma boa luva grossa, de preferência aquelas de pedreiro, conhecidas como luvas de raspa de couro. Elas são baratas e podem ser encontradas em lojas de materiais de construção.

O capacete, joelheiras e cotoveleiras são outros bons acessórios de segurança que devem ser usados, ainda mais se a pessoa está começando no esporte. Na dúvida, use todos e não vai se arrepender nunca.

Conclusão
Seguindo as dicas acima e andando pelo menos uma hora por semana, você verá que a evolução será rápida e segura.

Boas cavadas!

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<ADMINNICENAME> http://surfnoasfalto.com.br/blog <![CDATA[Surfista Fissurado]]> http://surfnoasfalto.com.br/blog/2006/08/08/surfista-fissurado/ 2006-08-08T13:39:23Z 2006-08-08T12:09:00Z Contribuição de: Maurício Bastos / Stem Winder

Um surfista fissurado viver numa cidade sem praia, é um sério problema, olhar as fotos dos picos preferidos todos os dias, sonhar com a sensação de surfar, ficar monitorando todos e qualquer swell e estar a mais de 100km da praia mais próxima. Vida dura. O jeito é matar a fissura com o Carveboard, e fazer o surf no asfalto.

O Carveboard é uma espécie de skate com pneus de borracha, molas, e um shape maior do que o convencional. Descer ladeiras longas com bom asfalto faz com que a sensação e a emoção sejam muito semelhantes com a do surf.

Devido a um compromisso no sábado à tarde, eu não poderia ir para a praia durante o final de semana inteiro, resolvi então esquematizar um final de semana alternativo, surf no asfalto no sábado de manhã e surf na água no domingo de manhã nas merrecas do litoral paranaense.

Sábado o dia amanheceu meio cinzento em São José dos Pinhais-PR, cidade sem praia, mas com boas ladeiras de asfalto novo. Na noite anterior já havia combinado com o Wagner, um amigo fissurado por todas as modalidades de skate e de esportes com prancha, para descobrirmos alguma ladeira nova na cidade. Fomos em direção a um bairro nas proximidades da BR-277, havia lá uma bela descida de asfalto recém inaugurado, que é caminho para o novo presídio da cidade. A rua ainda sem movimento de veículos, localiza-se ao meio de bosques de eucaliptos, sendo assim, um convite à diversão.

Estávamos com equipamentos de filmagem e fotografia para registrar os momentos. Como o dia estava nublado não tínhamos luz suficiente para produzirmos boas fotos, porém uma ou outra foto sempre fica boa… começamos então as descidas. No melhor estilo surf possível, fizemos boas manobras, íamos até o final da ladeira aproveitando ao máximo os cut backs, rasgadas e é lógico a adrenalina.

Descemos por mais de uma hora, uma descida atrás da outra, várias fotos, várias vídeos, as pernas já começam a ficar cansadas, mas continuamos, até começar a dar uns pingos de chuva. O céu estava cinzento, sinistro, começou a ventar mais forte, opa, final da session. Nos abrigamos no carro e começou a chover muito forte, chuva com vento. A diversão havia acabado. Caberia a nós neste momento aguardar o sábado passar e tentar fazer um surf real no domingo.

No caminho de volta para casa após a session, passamos por outros possíveis picos de Carveboard na cidade, olhamos, analisamos, e a chuva forte impedia que experimentássemos aquelas outras descidas. Agora era torcer para o dia seguinte ter umas ondas…ou marcar o próximo role de Carveboard, o surf no asfalto!!

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<ADMINNICENAME> http://surfnoasfalto.com.br/blog <![CDATA[Encurtando o Caminho para o Surf]]> http://surfnoasfalto.com.br/blog/2006/08/06/encurtando-o-caminho-para-o-surf/ 2006-08-19T00:20:16Z 2006-08-06T16:39:21Z Conseguir ficar em pé em uma prancha deslizando por uma coluna de água em movimento é uma das melhores sensações que se pode ter na vida. A integração é total quando o resultado é agradável e bonito de se ver. Movimentos fluídos, uma linha bem desenhada e a harmonia do surfista com a onda contam muito para que tudo pareça ser plástico fácil e gracioso.Mas como em toda expressão do ser humano, descobrimos que quanto mais fácil parece, mas trabalho a pessoa teve para chegar até aquele nível. O surf é um dos
esportes mais difíceis que existe porque exige ao mesmo tempo dedicação, persistência, condicionamento físico e perseverança. Para o surfista típico, aquele que não mora na praia e tem somente os finais de semana ou as férias para se dedicar ao esporte, lá se vai um bom ano para conseguir deslizar pelas primeiras paredes de uma onda. O caminho é longo e o objetivo principal, que é surfar, está lá no final, depois de várias fases que o candidato a surfista tem que passar.

O primeiro desafio é deitar em cima da prancha e tentar remar para além da arrebentação. A prancha nesta hora atrapalha mais do que ajuda. A vontade de jogar aquela bóia para o lado e nadar em direção da calmaria do fundo é uma tentação enorme. Quando o pretendente a surfista consegue chegar ao fundo tem uma alegria enorme, pensa em gritar de euforia, mas quando vê uma dezena de outros caras já experiêntes, sentados em suas pranchas e aguardando a próxima onda, engole em seco e tenta sentar para esperar a sua primeira onda.

Veja bem que falei tenta sentar, pois ele logo descobre que ficar em cima de uma prancha, mesmo sentado, é uma tarefa para lá de difícil na primeira vez. Se o pretendente a surfista não tem alguém junto com ele para dar as primeiras dicas, provavelmente irá desistir e dizer que aquele esporte não é para ele. Nada mais errado; é possível aprender a surfar, quase qualquer um consegue, mas sem
dedicação, persistência, condicionamento físico e perseverança, que são coisas que só se adquire com o tempo, vai ficar difícil mesmo conseguir atingir aquele sonho de deslizar na parede de uma onda.

Mas como então encurtar este caminho e deixá-lo menos penoso? É possível acelerar o aprendizado do surf, mesmo não estando na água, remando e levando algumas ondas na cabeça? Olha, mágina não existe, mas o ser humano sempre tem uns três ou quatro truques dentro de sua bolsinha de criatividade e inteligência. :-)

Entra em cena o Carveboard
É aí que entra o carve, como um dos truques que podem se acoplar no arsenal de técnicas e estratégias para formar um bom surfista. E olha que não estou falando de Kelly Slaters ou Gerry Lopez da vida. Estou falando daquele cara (ou menina) que já sonhou em poder deslizar em uma onda curtindo a sensação da natureza e se sentindo Deus por alguns segundos. Nada de batidas na junção da onda, aéreos fenomenais ou rasgadas que espirram água em todo o pessoal. Nada disso. Somente uma remada bem feita, uma subida na prancha e o deslizar por aquela parede de água, imaginando que aquilo não vai ter mais fim.

Equilíbrio
O carve é extremamente mole e por isso é tão bom para se treinar o equilíbrio. Não é a toa que nas primeiras lições comparo ele à uma bicicleta. Ninguém consegue ficar equilibrado em uma bicicleta se ela não estiver em movimento (bem, quase ninguém). Agora, se você dá uma ou duas pedaladas pronto!, já está equilibrado e andando de um lado para o outro. No carve é a mesma coisa, é preciso de um deslocamente inicial para que a pessoa consiga se equilibrar. Treinando no carve você desenvolve naturalmente seu sentido de equilíbrio, o que poderá lhe ajudar quando estiver em cima de uma prancha na onda.

Movimentos do Surf
Como o carve foi feito para ser um simulador é natural que seus movimentos sejam muito semelhantes aos executados no surf. Isso quer dizer que cada vez que você andar de carve estará treinando o seu corpo para reagir melhor quando estiver em uma prancha dentro da água. Não pense que o carve substitui o treinamento dentro d’água ou que é só ficar um mês direto andando de carve que você conseguirá surfar sem nunca ter colocado um pé em contato com a parafina. Nada disso. Mas com certeza o carve vai ser um forte complemento no seu aprendizado, melhorando a sua postura, as respostas na prancha e as sutis diferenças de como a onda se apresenta para você.

Condicionamento Físico
Conhece aquele surfista típico, que tem um baita peitoral, braços fortes e pernas fininhas? :-) Pois é, isso tem uma razão de ser. Na maior parte do tempo o surfista não surfa, ele rema! 80 a 90% do tempo que um surfista passa na água é para remar. Com muita sorte no restante do tempo ele está pegando ondas. Por isso o desenvolvimento dos membros superiores é grande. E as pernas, onde ficam nesta história? Elas ficam deitadas ao longo da prancha, praticamente sem se mexer até que o surfista pega uma onda. A partir daí, em longos 5 ou no máximo 10 segundos elas se movimentam seguindo a parede da onda e deslizando junto com a prancha.

No carve é exatamente o contrário. As pernas são exigidas durante toda a session. Seja enquanto o carveboarder está descendo a ladeira, deslizando de um lado para outro, seja quando ele sobe a rua para descer mais uma vez. Isso provoca duas coisas muito boas: um condicionamento físico aeróbico prazeroso e divertido (quem disse que academia é divertido?) e um grande alongamento dos músculos, sobretudo da cadeira posterior, desde as pernas até as costas.

Concluindo
Como falei acima, o carve não é um substituto do surf, mas sim um poderoso complemento, mantendo as mesmas características do esporte, somando ao invés de diminuir, acrescentando ao invés de denegrir.

Surf na alma, seja no mar ou no asfalto!

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<ADMINNICENAME> http://surfnoasfalto.com.br/blog <![CDATA[Como Comecei a Surfar no Asfalto]]> http://surfnoasfalto.com.br/blog/2006/08/06/como-comecei-a-surfar-no-asfalto/ 2006-08-06T16:41:44Z 2006-08-06T05:48:26Z No final de 2001 eu estava em mais uma transição entre esportes. Tinha parado de voar de parapente a pouco tempo e ainda não havia escolhido outro esporte para me dedicar. A Bel, o tesão da minha vida, já surfava de body-boarding fazia muitos anos. Os meus cunhados, o Dudu e o Gian também surfavam. Hmmm, comecei a pensar que poderia ser a hora de me engatar em uma nova aventura.


Um belo dia estávamos na casa do meu sogro em Guaratuba e peguei a velha Cristal Graffiti do Gian emprestada. Não sabia fazer nada e achei, com aquela típica ignorância dos novatos, que poderia sair surfando naquele dia mesmo. Quáquáquá, consegui chegar no fundo, mas quem disse que sequer ficava sentado na prancha?

Mas achei interessante aquela história e resolvi encarar. No início peguei dicas com o Dudu e o Gian, até que comprei uma Canfield 6.2′ usada. Muito legal a prancha, só que não sabia que para um novato era melhor pegar uma prancha maior.

Neste meio tempo, exatamente em abril de 2002, em enxerguei a luz! Na volta de uma viagem para São Paulo, comprei uma revista Surfer e vi uma propaganda de página inteira do carveboard. Na hora entendi o que era aquele esqueitão enorme, de rodas e pneus grandes, fazendo os mesmo movimentos do surf que via nas revistas.

No dia seguinte acessei o site da empresa e baixei os vídeos: eu havia sido contaminado. Menos de um mês depois já estava com o carrinho na minha casa.

O problema foi pegar de manhã o brinquedo no correio e não poder andar até as onze horas da noite. Mas a história da primeira session vai ficar para um outro post… :-)

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<ADMINNICENAME> http://surfnoasfalto.com.br/blog <![CDATA[Surf no Asfalto como Você Nunca Viu!]]> http://surfnoasfalto.com.br/blog/2006/08/06/surf-no-asfalto-como-voce-nunca-viu/ 2006-08-06T16:42:07Z 2006-08-06T04:19:15Z Cansado de só dar uma caída no mar no fim de semana? Gostaria de poder fazer uma session de gala no fim de tarde? Pois é, por esta e por outras é que o carveboard foi inventado.

O Carve foi desenvolvido para ser o simulador perfeito do surf e em pouco tempo você pega a ginga do carve e começa a desfrutar das cavadas e rasgadas. É muito legal poder ficar deslizando por horas em um asfalto perfeitinho, simulando uma onda, treinando aquela rasgada ou batida inúmeras vezes, até que saia perfeita.

A história toda começou por volta de 1992 quando o surfista havaiano Laird Hamilton começou a desenvolver um skate para simular o surf, construído a partir de peças usadas e pneus de bicicleta. O projeto ficou meio esquecido até que apareceu o mountainboard, utilizando conceitos mais modernos de eixos sobre molas e inclinação no shape. Partindo deste princípio, Brad Gerlach e seu pai Joe, criaram o primeiro protótipo do carve, para ser utilizado na gravação de um vídeo de dicas de surf.

O skate ficou tão bom que logo Brad e seus amigos começaram a utilizá-lo para treinar quando o mar estava flat. Brad vislumbrou o potencial do skate e o batizou com o nome de Carveboard, de onde o termo carve vem da cavada, manobra em que o surfista faz um curva fechada, inclinando bastante o corpo. Em 1997 ele criou a Carveboard Sports e começo a fazer o carve em larga escala.

E o resto é história, com milhares de carves espalhados pelo mundo, proporcionando um surf de asfalto com todas as sensações daquela queda clássica num mar de um metrão.


O conceito do carve, com pneus largos, slick e com molas bem soltas ainda não foi superado. O Carveboard americano foi o primeiro a atingir este estado de tecnologia. A partir daí outros fabricantes pelo mundo passaram a usar o mesmo conceito nos seus produtos para fazer produtos similares. Com o tempo as inovações começaram a aparecer através de outras empresas, como foi o caso da primeira fábrica nacional de carves, a Dropboards. Fazendo um carve idêntico ao americano, ela preencheu uma lacuna no mercado nacional que carecia de um produto similar ao importado, mas com toda a sua qualidade e a um preço bem mais acessível.

E não pense que o carve é um skate longboard com pneus de borracha e largos. É só subir em cima de um carve para ver como o conceito é totalmente diferente. Ao contrário do skate normal, o qual você controla somente com os pés, no carve é necessário utilizar a parte superior do corpo, inclinando-o como no surf, para que ele mude de direção. Com um pouco de treino é possível inclinar muito o corpo e sentir aquela pressão da parede da onda ou da cavada bem fechada feita logo após o drop.

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