Encurtando o Caminho para o Surf

Conseguir ficar em pé em uma prancha deslizando por uma coluna de água em movimento é uma das melhores sensações que se pode ter na vida. A integração é total quando o resultado é agradável e bonito de se ver. Movimentos fluídos, uma linha bem desenhada e a harmonia do surfista com a onda contam muito para que tudo pareça ser plástico fácil e gracioso.Mas como em toda expressão do ser humano, descobrimos que quanto mais fácil parece, mas trabalho a pessoa teve para chegar até aquele nível. O surf é um dos
esportes mais difíceis que existe porque exige ao mesmo tempo dedicação, persistência, condicionamento físico e perseverança. Para o surfista típico, aquele que não mora na praia e tem somente os finais de semana ou as férias para se dedicar ao esporte, lá se vai um bom ano para conseguir deslizar pelas primeiras paredes de uma onda. O caminho é longo e o objetivo principal, que é surfar, está lá no final, depois de várias fases que o candidato a surfista tem que passar.

O primeiro desafio é deitar em cima da prancha e tentar remar para além da arrebentação. A prancha nesta hora atrapalha mais do que ajuda. A vontade de jogar aquela bóia para o lado e nadar em direção da calmaria do fundo é uma tentação enorme. Quando o pretendente a surfista consegue chegar ao fundo tem uma alegria enorme, pensa em gritar de euforia, mas quando vê uma dezena de outros caras já experiêntes, sentados em suas pranchas e aguardando a próxima onda, engole em seco e tenta sentar para esperar a sua primeira onda.

Veja bem que falei tenta sentar, pois ele logo descobre que ficar em cima de uma prancha, mesmo sentado, é uma tarefa para lá de difícil na primeira vez. Se o pretendente a surfista não tem alguém junto com ele para dar as primeiras dicas, provavelmente irá desistir e dizer que aquele esporte não é para ele. Nada mais errado; é possível aprender a surfar, quase qualquer um consegue, mas sem
dedicação, persistência, condicionamento físico e perseverança, que são coisas que só se adquire com o tempo, vai ficar difícil mesmo conseguir atingir aquele sonho de deslizar na parede de uma onda.

Mas como então encurtar este caminho e deixá-lo menos penoso? É possível acelerar o aprendizado do surf, mesmo não estando na água, remando e levando algumas ondas na cabeça? Olha, mágina não existe, mas o ser humano sempre tem uns três ou quatro truques dentro de sua bolsinha de criatividade e inteligência. :-)

Entra em cena o Carveboard
É aí que entra o carve, como um dos truques que podem se acoplar no arsenal de técnicas e estratégias para formar um bom surfista. E olha que não estou falando de Kelly Slaters ou Gerry Lopez da vida. Estou falando daquele cara (ou menina) que já sonhou em poder deslizar em uma onda curtindo a sensação da natureza e se sentindo Deus por alguns segundos. Nada de batidas na junção da onda, aéreos fenomenais ou rasgadas que espirram água em todo o pessoal. Nada disso. Somente uma remada bem feita, uma subida na prancha e o deslizar por aquela parede de água, imaginando que aquilo não vai ter mais fim.

Equilíbrio
O carve é extremamente mole e por isso é tão bom para se treinar o equilíbrio. Não é a toa que nas primeiras lições comparo ele à uma bicicleta. Ninguém consegue ficar equilibrado em uma bicicleta se ela não estiver em movimento (bem, quase ninguém). Agora, se você dá uma ou duas pedaladas pronto!, já está equilibrado e andando de um lado para o outro. No carve é a mesma coisa, é preciso de um deslocamente inicial para que a pessoa consiga se equilibrar. Treinando no carve você desenvolve naturalmente seu sentido de equilíbrio, o que poderá lhe ajudar quando estiver em cima de uma prancha na onda.

Movimentos do Surf
Como o carve foi feito para ser um simulador é natural que seus movimentos sejam muito semelhantes aos executados no surf. Isso quer dizer que cada vez que você andar de carve estará treinando o seu corpo para reagir melhor quando estiver em uma prancha dentro da água. Não pense que o carve substitui o treinamento dentro d’água ou que é só ficar um mês direto andando de carve que você conseguirá surfar sem nunca ter colocado um pé em contato com a parafina. Nada disso. Mas com certeza o carve vai ser um forte complemento no seu aprendizado, melhorando a sua postura, as respostas na prancha e as sutis diferenças de como a onda se apresenta para você.

Condicionamento Físico
Conhece aquele surfista típico, que tem um baita peitoral, braços fortes e pernas fininhas? :-) Pois é, isso tem uma razão de ser. Na maior parte do tempo o surfista não surfa, ele rema! 80 a 90% do tempo que um surfista passa na água é para remar. Com muita sorte no restante do tempo ele está pegando ondas. Por isso o desenvolvimento dos membros superiores é grande. E as pernas, onde ficam nesta história? Elas ficam deitadas ao longo da prancha, praticamente sem se mexer até que o surfista pega uma onda. A partir daí, em longos 5 ou no máximo 10 segundos elas se movimentam seguindo a parede da onda e deslizando junto com a prancha.

No carve é exatamente o contrário. As pernas são exigidas durante toda a session. Seja enquanto o carveboarder está descendo a ladeira, deslizando de um lado para outro, seja quando ele sobe a rua para descer mais uma vez. Isso provoca duas coisas muito boas: um condicionamento físico aeróbico prazeroso e divertido (quem disse que academia é divertido?) e um grande alongamento dos músculos, sobretudo da cadeira posterior, desde as pernas até as costas.

Concluindo
Como falei acima, o carve não é um substituto do surf, mas sim um poderoso complemento, mantendo as mesmas características do esporte, somando ao invés de diminuir, acrescentando ao invés de denegrir.

Surf na alma, seja no mar ou no asfalto!

5 Comments

  1. Gustavo

    pow kra….mto bom esse seu site…
    vc falo mto bem sobre o carve e tal…
    eu tava muito interessado em fazer um test drive com um mas ate hoje ainda naum tive chance de faze-lo…
    mas vai mandando e-mails la com “sessions” que eu vejo se algum dia eu posso aparecer
    flw

  2. Gui/Ronco

    Parabéns Rodrigo, tenho certeza que seu site vai ser bem frequentado…..esse espaço vai fazer o carve ficar mais conhecido e facilitar bastante para quem não conhece a modalidade!!!!

    Abraço e boa sorte….

  3. Cristiano

    Rodrigo estou experimentando estas sensações descritas por vc há uma semana pois adquiri o meu Caver, único na minha cidade que está a 600 Km da praia mais próxima. Parabéns pelo pelo excelente trabalho neste espaço.

  4. cerebus

    Olá Cristiano!

    De que cidade você é? Parabéns pela aquisição e continue a andar de carve!!

  5. Marcelo Bueno

    Fala galera!

    É a primeira vez que estou aqui, mas está sendo alucinante este conhecimento sobre o Caver.
    Quem estiver afim vamos trocar informações sobre os picos no Brasil, para a modalidade.
    Sou de Curitiba. E vocês?!

    valeu



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